Love Hurts – Bastos

É do fundo do estômago, do hematoma em suas matizes e do ardor nos olhos, ao chorar descontroladamente, que parecem vir às inspirações. O traço ao desenhar as roupas parece ter tido a firmeza do punho em riste, pronto para o golpe. Ou da marca da dor.

O romântico e o barroco-tropical, que vimos nas últimas coleções da marca, fazem par ao naturalismo. De tradição inglesa, Edgar Allan Poe, Lucien Freud e Francis Bacon representam a crueza da carne, o apodrecimento e padecimento daquilo que insistimos em chamar de alma. E é de lá, da classe operária inglesa, que chega Billy Elliot. Ele prefere o “grand jeté” ao “cruzado de esquerda”. O boxe traz a seda, o brilho dos tecidos esportivos, ao lado dos couros. A coleção é madura pois não promete criar a roda, mas parte de um olhar atento ao que está posto. Quase uma volta ao passado.

O etéreo verbo “amar” ganha peso. A infância nos anos 90 dá memória e agrega elementos do militarismo, que ganha nova roupagem ao ser aliado a partes de uniformes escolares. Cotovelos e joelhos protegidos, “quando casar sara”.

Quando conversava com Kleyson sobre seu processo criativo me dava conta de que o processo de descoberta estava também nele. Várias das referências foram ganhar sentido após o desenho.

“Bastos” evolui enquanto nome de marca, surpimindo o primeiro nome do estilista, e se prepara para se estabelecer e consolidar-se no mercado. Na moda masculina de Kleyson mais do que forma, o trato mostra-se único na escolha de suas mídias. Atento à moda do guarda-roupas feminino, o estilista toma por empréstimo o florido barroco, os veludos, a estamparia dos lenços e o gosto pelos acessórios.

O criador cita Pat Benatar e declara: “love is a battlefield”. And love hurts. But it hurts so good.

Ulisses Carrilho, jornalista e crítico de arte

 

Fotos: Neilton Fernandes

 

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